AVISO: O conteúdo aqui postado, NÂO é fruto de imaginação. São fatos reais, romanceados, com o objetivo de tornar a leitura mais digerível. São permitidas sugestões, críticas, contestações e até mesmo xingamentos ao autor que além de escrever memórias alheias, também trará memórias próprias, mesmo que postumamente. Os contos serão postados diariamente e dirigidos aos que sabem ver o real significado dos fatos e não apenas pensar por cabeças alheias.
terça-feira, 22 de março de 2011
Anjo/Demônio: Um peso inconsciente...
Ela já estava acostumada ao fato de ter que satisfazer suas necessidades sexuais sem participação do marido, ou até mesmo com ele, mas sempre com uma outra presença, de preferência feminina, escolhida por ele.
Quando então a adolescente, Maria conhecera João no que hoje é denominada balada e que naquela época dizia-se noitada em boate da moda, apaixonou-se à primeira vista. Não que outras vezes não se apaixonara. Muitas e muitas vezes sentira a paixão avassaladora, especialmente quando pegava carona para retornar para casa e deitava no colo do então candidato a namorado e o brindava com uma grande performance oral. Sua especialidade, diga-se de passagem, e do qual se orgulhava.
A performance também era praticada com algumas amigas, inicialmente por “experimentação ou brincadeiras”, e gradativamente foi tomando gosto pela modalidade. Menos explicita que atualmente claro.
Sempre pensando nesse passado, Maria aceitava o jogo do marido, atualmente empresário do ramo de atacado e com aspirações políticas, portanto, não poderia sequer pensar em separação ou mesmo em expor os fetiches e fantasias publicamente.
Tudo isso era presente em sua mente agora quando o inesperado surgiu em sua vida, na presença de um rapaz, amigo de sua filha e que estudava na mesma escola de elite e lhe sorria com indisfarçável malícia fixando seus olhos com uma força malévola, pois era perceptível o desejo que ambos nutriam um pelo outro.
Maria sentia o corpo em chamas ao vê-lo na saída da escola, e por vezes, até mesmo a figura de sua filha ficava em segundo plano. Imaginava-se aninhada naqueles braços malhados em horas de academia e mais ainda, sentia nos lábios o calor do corpo daquele que em seus delírios era o anjo e demônio de seus devaneios.
A razão lhe fugia. O instinto animal aflorava em tal ordem que toda a vida socialmente regrada até então não mais existia.
“Maria, Maria é um som, é uma certa magia, é uma estrela que nos alerta...” – ouviu a voz quase sussurrada em seus ouvidos, enquanto seus olhos não desgrudavam do portão da escola por onde sempre o via saindo, tendo as mãos suadas ao volante do carro luxuoso que ganhara de presente de aniversário do marido.
Voltou à cabeça e deparou-se com o sorriso maroto de Alex, seu demônio angelical e quase nem percebeu que a filha postava-se ao lado dele e euforicamente noticiava que finalmente estava apaixonada e que ambos estavam namorando.
Sentiu-se desfalecer e teve que fazer um esforço sobre humano para sorrir e parabenizar a filha pela escolha. O fogo continuava a existir e agora mais forte ainda, pois imaginava que tudo o que pensara fazer com Alex, sua filha estaria concretizando.
À Maria restava as outras aventuras, nas quais lançou-se com força maior ainda, e tanto rapazes quanto moças de programa lhes serviam de consolo pela perda do que jamais teria.
Irracional, uma vez esqueceu-se das normas de não procurar satisfação na cidade em que morava e foi flagrada pelo marido com uma garota de programa em seu próprio quarto, e foram necessários dez dias de repouso e tratamento das escoriações que o marido lhe infringiu pela desobediência.
Seus lábios continuam a carregar a cruz do instinto não satisfeito pelo calor do corpo de Alex, enquanto João galga degraus políticos.
Assinar:
Comentários (Atom)
