Durante o jantar, Patrícia continuava discorrendo sobre suas aventuras para aquele que seria seu “ghost writer”, ou em português “escritor fantasma”. Falava o tempo todo, contando como viveu aquele poucos, porém repletos de altos e baixos, anos em que seu corpo foi usado por homens, mulheres e até mesmo casais que diziam querer “apimentar” a relação.
Com certeza renderia um romance, mas o escritor disse-lhe faria alguns capítulos apenas de um romance não muito aprofundado e depois sim, escreveria contos sobre o que ela lhe contara com temas e relatos mais apurados e melhor elaborados.
O capítulo final desse pequeno romance, no entanto, seria além de seu encontro inesperado, também a sua redenção para uma nova vida.
O inesperado aconteceu exatamente quando Patrícia estava presa na Cadeia Pública e em uma noite chuvosa, viu descer pelo corredor uma mulher de cerca de 30 anos, mas que naquele momento mostrava mais idade, devido ao abatimento psicológico de ter sido presa. O nome dela era Elisa, de nacionalidade paraguaia, e que foi flagrada trazendo materiais de informática de forma ilegal. O tradicional contrabando.
Patrícia foi à encarregada de recepcioná-la, ainda sem saber o motivo que a levava até ali, e levando-a para sua cela, soube que a mulher era proprietária de uma pequena loja comercial no país vizinho e por vezes fazia o transporte de tais mercadorias e os entregava na cidade de sua prisão. Tentou consolá-la dizendo que em tais casos, dois ou três seriam suficientes para que recebesse o Alvará de Liberdade Provisória, mas a mulher mostrava-se tensa e nervosa com o acontecido.
A aproximação de ambas foi consolidando-se conforme conversavam, e Patrícia teve a primeira surpresa ao sentir-se acariciada de forma cada vez mais intima por Elisa. Já tivera experiências anteriores com mulheres, pois durante o período de garota de programa, muitas vezes foi levada por casais ou mesmo por algumas socialytes para festas intimas e não lhe eram desagradáveis os carinhos femininos.
Permitiu-se ser acariciada e beijada e percebeu que Elisa aos poucos ia relaxando conforme o relacionamento tornava-se mais profundo. Inicialmente Patrícia acreditou que seria apenas mais uma noite de sexo prazeroso, mas no dia seguinte, ambas sentiram-se mais próximas e até mesmo entristeceram-se ao chegar o Alvará de Soltura de Elisa dois dias depois.
Ao se despedirem, Elisa disse-lhe que a procurasse em sua loja assim que saísse e entregou-lhe um cartão de visitas com o endereço e telefone de contato.
Devido ao local não ser organizado, Patrícia perdeu o cartão e ao sair, pediu ao escritor que lhe conseguisse formas de localizar Elisa, pois sabia que era uma alternativa prá uma mudança de vida.
E foi exatamente essa informação que recebeu naquela noite durante o jantar e no dia seguinte, com dinheiro emprestado do amigo em questão, foi em direção à única alternativa de nova vida que lhe surgiu, sendo surpreendida por encontrar o que tanto esperava dentro de uma cadeia.
Três anos depois desse jantar, Patrícia recebeu a visita do amigo na loja de Elisa e pode mostrar toda a felicidade que a nova vida lhe reservada, pois além de estar estudando e profissionalizando-se como comerciante, também finalmente encontrara o amor verdadeiro.
De resto sabia que suas memórias renderiam ao amigo, não só um romance que mostraria sua redenção, mas também muitas histórias que seriam transformadas em contos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário