Patrícia apenas recordou dos momentos vividos com o empresário em questão ao vê-lo novamente passar por ela no local onde costumava aguardar os clientes. Um outro carro ainda mais luxuoso, na cor amarela e que tinha linhas esportivas. Não saberia dizer a marca ou mesmo se era de indústria brasileira ou importado, mas pegou-se imaginando passear naquela máquina, mesmo que para isso não cobrasse pelo programa.
Sete anos haviam se passado, mas em sua memória, o semblante daquele homem estava indelevelmente impregnado, como que uma gravura, pois nos cinco encontros que tivera com ele praticara todas as artes da satisfação masculina em sua plenitude, ensinadas teoricamente por Ivone, jamais o esquecera, mas não de forma positiva e sim, como de um instrumento de tortura.
Teve febre, náuseas e desarranjos intestinais por três dias consecutivos após o segundo encontro em que foi manipulada e penetrada por aquele homem que a fixava com olhar bestial e dominador, enquanto a ouvia gemer. Comparou aquele rosto com o de uma gravura de vampiro em um livro que sua amiga Mari folheava de vez em quando na sala e logo após o abandonava sobre o sofá.
Ele era o vampiro de Patrícia, pois sugou até mesmo sua alma, a qual jamais deixou de ser atormentada nas noites seqüentes a todos os encontros.
Ao vê-lo naquele dia, Patrícia até mesmo desejou ser novamente procurada por ele, por simples ingenuidade, pois aquele homem jamais se permitia exposição e mais ainda, usar mulheres como ela, que já não mais eram jovens, puras e virgens.
Ansiava por um programa, pois sabia que teria que pagar o hotel e o jantar daquele dia e não podia dar-se ao luxo de escolher clientes. Lembrou-se que no livro que lia enquanto estava na cadeia e que agora era seu companheiro no pequeno quartinho nos fundos do hotel simplório que vivia, havia uma prostituta que dizia preferir carros com cadeirinhas de criança no banco traseiro, pois seriam homens de família que apenas queriam uma aventura extraconjugal com discrição e rapidez. E também não regateavam o preço.
Mentalmente desejou que um desses passasse por ela, virasse a esquina e estacionasse em um local onde não seria visto pelos motoristas dos outros carros que trafegavam por aquela avenida, pois assim, tanto seu jantar quanto a diária do hotel estariam garantidos.
Um carro fez menção de estacionar perto dela e ao observar o motorista, Patrícia foi surpreendida, pois ouviu a frase conhecida do seu amigo escritor.
- Se prometer que não vai se aproveitar de um pobre indefeso, virgem e puro, eu deixo você entrar? – seguido de uma agradável gargalhada.
- Eu não prometo nada! – exclamou Patrícia acompanhando a brincadeira do homem que se tornou seu amigo no lugar menos improvável possível e já entrando no carro sem mesmo esperar convite.
- Que está fazendo aqui menina linda? – perguntou ele, como que ingenuamente.
- Estava esperando meu namorado que acabou de chegar! – respondeu ela.
- Ih... Então é melhor eu ir embora que não quero apanhar! – defendeu-se ele.
- Meu namorado é você seu bobo! – exclamou ela enquanto se aproximava e o beijava no rosto.
- E ninguém me avisa, pô! – brincou.
- É só dizer o que vai querer que eu estou pronta meu amor! – riu Patrícia.
- A única coisa que quero agora, é banho, janta e cama... Sozinho!
- Ainda com essa frescura de achar que se eu transar com você, estou fazendo sacrifício? – perguntou Patrícia que pela primeira vez na vida havia encontrado um homem que conversava com ela, a ouvia, e que não a queria como mulher.
- Eu vim aqui prá te dizer que acho que consegui aquela informação que me pediu! – falou ele como se não tivesse ouvido a frase dela – E também pra te convidar prá jantar, se quiser! Depois de deixo onde quiser!
- Eu quero jantar, mas depois tenho que voltar, pois preciso arrumar dinheiro prá pagar o quarto hoje! – exclamou Patrícia mesclando alegria por conseguir uma informação que a poderia tirar daquela vida e tristeza por saber que naquele momento, sua realidade ainda exigia que continuasse a ser o que era.
AVISO: O conteúdo aqui postado, NÂO é fruto de imaginação. São fatos reais, romanceados, com o objetivo de tornar a leitura mais digerível. São permitidas sugestões, críticas, contestações e até mesmo xingamentos ao autor que além de escrever memórias alheias, também trará memórias próprias, mesmo que postumamente. Os contos serão postados diariamente e dirigidos aos que sabem ver o real significado dos fatos e não apenas pensar por cabeças alheias.
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