Em uma das vezes em que fazia a coleta de um pacote para levar a outro endereço, Patrícia foi surpreendida com duas viaturas da Policia que rapidamente a cercararam. Flagrada com algumas pedras de crack, foi levada para a Delegacia e sabia que muito tempo se passaria até que pudesse novamente andar com liberdade pelas ruas da cidade. A única coisa que a consolava, era saber que naquele presídio onde homens e mulheres eram reclusos, todos os dias poderia ver Marcos de uma distancia de cerca de cinco metros por entre as grades e ainda privar com ele aos sábados, dia em que as galerias eram abertas e podiam circular por ambas.
Inicialmente foi recebida com cordialidade pelas outras detentas, mas a realidade lhe caiu como um raio na mesma noite, ao perceber que mal teria onde encostar-se para dormir. Espremida junto a outras quarenta e quatro prisioneiras em dois cubículos planejados para abrigar oito, Patrícia deu-se ainda que apenas contava com a roupa do corpo, sem material de higiene ou mesmo substitutas para as que usava. Não tinha colchão, travesseiro ou mesmo cobertas, encostada em uma parede de concreto frio.
Lágrimas afloraram quando também percebeu que Marcos não lhe dava a atenção que imaginava ser merecedora. Não queria culpá-lo por estar naquele lugar, pois sabia que o que fazia não era legal, mas inconsciente o fazia, especialmente depois de ter a certeza que ele lhe abandonaria.
“Além do horizonte deve ter, algum lugar bonito prá viver em paz...” – novamente aflorava à sua mente quando olhava para as paredes apinhadas de roupas precariamente dependuradas, como que a consolar. Seu mundo deixou de interessar a quem quer que fosse, pois naquele lugar, todos estão muito concentrados em si mesmos para interessar-se por outros que não seu próprio futuro. Suas companheiras de infortúnio falavam sem parar do que lhes havia acontecido e ela aprendeu a falar do seu também, apenas para extravasar a sensação de aperto no peito.
Procurava por horas visualizar a galeria masculina na tentativa de pelo menos receber um olhar de Marcos, mas este nem se dava ao trabalho de aparecer em algum lugar visível a ela. Algumas roupas lhe foram cedidas por companheiras, bem como material de higiene e aprendeu que ali dentro, todos tinham que ter certa solidariedade uma para com a outra. Aprendeu também que em uma cadeia havia leis próprias e que para sua sobrevivência, deveria adaptar-se a elas. Se bem que para adaptação a qualquer situação, ela não tinha nenhuma dificuldade, mesmo que isso significasse a morte de seu próprio eu.

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