segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Capítulo quatro... "Nova flor"

“Além do horizonte deve ter, algum lugar bonito prá viver em paz.” – entoou sem perceber que o que pronunciava, era apenas sua esperança para o futuro, que se apresentou na forma de uma de suas amigas de sala, uma garotinha de sua idade e que morava a uma quadra de sua casa, de nome Tânia.
- Matou aula hoje Pat? – ouviu a amiga.
- A mãe morreu! – exclamou como se não fosse ela a produzir som, pois a frase saiu sem entonação ou emoção alguma, algo que em seu íntimo fervilhava.
- Nossa! – surpreendeu-se Tânia – E o que você está fazendo aqui?
- O Edu me mandou embora! – novamente sem entonação ou emoção – Falou que eu só vou atrapalhar a vida dele!
- Ele sempre foi um porco mesmo! – ouviu a amiga falar com raiva de seu padrasto – Vem comigo! A mãe não gosta do Edu e você pode ficar lá em casa!
- Sua mãe não vai ficar brava? – falou Patrícia já com uma réstia de esperança.
- Eu acho que não! Ela não gosta do Edu e sempre falou bem de você! Sempre disse que uma garota como você é um achado! – respondeu animadamente Tânia.
Patrícia e Tânia andaram as quatro quadras até a casa conversando sobre o ocorrido e ao chegarem, a amiga de Patrícia pediu para que ela esperasse enquanto conversava com sua mãe. Os olhos de Patrícia ficaram grudados na porta da casa por onde entrou sua amiga, esperançosos de que por ela pudesse passar e ser acolhida. Não demorou em que a porta fosse aberta e Ivone aparecesse com um sorriso de boas vindas e acolhesse a pequena Patrícia, abraçando-a e conduzindo por uma sala bem decorada, com cortinas vermelhas e móveis em tom quentes.
Três outras moças atarefadas em pintar as próprias unhas ou cuidar dos cabelos também lhe deram boas vindas, mas de uma forma estranha, com frases como “Carne nova no pedaço”, ou então “Ninfeta na área, grana na mão!”, e que receberam como resposta um olhar raivoso por parte de Ivone, que dizia que a nova moradora da casa não iria ser desclassificada como elas, mas sim, seria preparada apenas para os bacanas.
- Até que os bacanas não queiram mais carne usada, né Ivone? – debochou uma loira oxigenada de nome Mari.

Nenhum comentário:

Postar um comentário