AVISO: O conteúdo aqui postado, NÂO é fruto de imaginação. São fatos reais, romanceados, com o objetivo de tornar a leitura mais digerível. São permitidas sugestões, críticas, contestações e até mesmo xingamentos ao autor que além de escrever memórias alheias, também trará memórias próprias, mesmo que postumamente. Os contos serão postados diariamente e dirigidos aos que sabem ver o real significado dos fatos e não apenas pensar por cabeças alheias.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Capítulo treze... “O momento da verdade!”
No momento em que estava sendo abraçada por aquele homem inicialmente elegante que a levara a um apartamento luxuoso a bordo de um carro grande e preto, cujo modelo nunca havia visto, a não ser em filmes, Patrícia começou a tomar ciência do que era realmente ser prostituta.
Preparada teoricamente para o que lhe aconteceria, Patrícia não estava, contudo pronta psicológica e fisiologicamente para o que se seguiria, pois nem sua primeira menstruação ainda tivera.
Sua mente era um turbilhão de emoções desencontradas ao sentir-se afagada por mãos desconhecidas, que mesmo bem tratadas com esmero por manicures, lhe causavam asco.
- “Ele gosta que as meninas mostrem que estão gostando do que estão recebendo e também que aceitem fazer o que ele quer!” – parecia-lhe ouvir a voz de Ivone – “E se souber agir de acordo, ganhará presentes na despedida!”.
Tais recordações das palavras de Ivone foram substituídas por outras proferidas pelo homem que sabia ser milionário e que não se importava de pagar altos preços por jovens como ela, após desnudá-la e afastar-se para ter uma melhor visão de seu corpo.
- “Parece que você vale o quanto recebe menina!” – ouviu Patrícia aquela voz que jamais esqueceria, pois tinha um tom sibilante como se imagina tenha uma cobra. – “É digna de ser tratada com muita paciência, e vou te dizer, hoje a gente só vai ficar nas preliminares!”
Por preliminares, Patrícia soube que apenas seu sexo não seria invadido, mas durante a imersão de ambos em uma banheira, nem um só centímetro de seu corpo deixou de ser manipulado intensamente e pela primeira vez, sentiu o gosto acre do hormônio masculino.
“Além do horizonte deve ter, algum lugar bonito prá viver em paz...”, ouviu mentalmente Patrícia, porém dessa vez, parecia que a frase perdia o sentido como quando entoada por sua mãe no passado, sendo substituído por uma incrível necessidade de que aquele momento deixasse de existir, tanto no presente, quando no futuro.
Não sabia, no entanto, que seus momentos seriam nada mais nada menos que uma repetição por muito tempo em sua vida.
Procurou bloquear aquelas sensações negativas que teimavam a açoitar seu corpo e mente durante todas as noites seguintes, mas, talvez por ingenuidade ou mesmo falta de alternativas, não podia fugir do pesadelo em vida que o cotidiano lhe apresentaria.
Haveria um segundo encontro, talvez um terceiro e não sabia quantos mais. A única coisa que sabia é que não poderia decepcionar Ivone, já que a sua segurança dentro daquela casa dependia de tornar-se uma cortesã como as outras três amigas que, mesmo a tratando sempre com ironia, a olhavam como se a uma pobre indefesa ou futura solitária.
Claro que aos doze anos de idade Patrícia não sabia disso e só soube tempos depois, ao perceber que tanto a insegurança quanto a solidão lhe seriam companheiras constantes, mesmo que dentro de um quarto quanto em uma multidão.
Afastava os sentimentos negativos e procurava prestar atenção nas palavras de Ivone ilustrando-a na melhor forma de agir no segundo encontro com o tal empresário, e contraditoriamente ansiava e assustava-se com o momento, sentindo-se como se na iminência de se afogar.
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