segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Capítulo oito... "A porta do inferno!"

Finalmente pode fazer companhia a parentes e esposas dos prisioneiros na fila formada em frente da Cadeia Pública local, tendo às mãos os documentos que lhe permitiam visitá-lo e uma sacola com salgadinhos e refrigerante, que sabia ele gostava. Algumas peças de roupa e bilhetes amorosos havia conseguido enviar durante as semanas que se passaram até aquele sábado frio. Sabia que a presença de Marcos aqueceria, não só seu corpo, mas também seu coração, não importando onde ele estivesse.
A revista corporal obrigatória aos visitantes dos detentos surpreendeu Patrícia, pois ela desconhecia o mundo do crime e não tinha a menor noção de que muitos tentam levar objetos e materiais proibidos para o interior da prisão. Apesar de viver entre os dois mundos, nunca se importou com quem tinha como cliente e mais surpresa ainda ficou, ao encontrar clientes reclusos junto a Marcos. Do mundo empresarial e de encontros na rua com clientes passeando com a família, Patrícia já estava acostumada e ignorava-os, pois sabia que poderia lhes causar dissabores ao demonstrar conhecê-la.
Marcos a aguardava ansioso diante de uma porta de grades, e o que viu em seus olhos fez com que todo o esforço e sacrifício feito por ela, para estar junto dele, valesse a pena. Era a expressão do amor em toda sua plenitude e deu-se sorrindo e chorando ao mesmo tempo enquanto aninhava-se em seus braços e sentia o sabor de seus lábios.
Jamais conseguiria descrever as horas passadas junto a Marcos, já que era um turbilhão de emoções desencontradas. Riam e choravam, conversavam e se amavam, mergulhavam em si mesmos ao mesmo tempo em que compartilhavam com outros detentos e parentes as agruras e sacrifícios. Ele não perguntava, talvez por medo de ouvir a resposta que sabia em seu inconsciente que iria ouvir e ela não lhe dizia onde conseguia o dinheiro para enviar-lhe diariamente salgadinhos, refrigerantes e materiais de higiene. Ele percebia que algumas vezes ela baixava os olhos quando alguns rapazes passavam diante deles e ela também sentiu seu amado ansioso e tenso em diversas ocasiões. Preferiam ignorar o que lhes pudesse causar situações negativas nas poucas horas semanais que passavam juntos aos sábados.
Até que em um desses dias em que apenas permitiam o amor, Marcos mostrou-se ainda mais tenso e nervoso e disse-lhe que precisava que ela o ajudasse, sob pena de sofrer os horrores nas mãos dos outros presos. A realidade de sua vida de garota de programa caiu-lhe em cima e Marcos disse que estava sendo ameaçado por alguns detentos que não tinham visita e que estavam precisando de mulher e que ela poderia fazer-lhes companhia por alguns minutos enquanto ele passeava pelo pátio.

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