Gradativamente foi perdendo-os e Ivone percebeu que algo não estava bem, e ao dar vazão a carência do ser amado, fugia para encontrá-lo às escondidas. Em um desses dias, foi seguida por Ivone, que ao descobrir o motivo de sua criatura deixar de ser lucrativa, não se fez de rogada.
Patrícia novamente viu-se na rua, apenas com suas roupas do dia a dia, pois até mesmo as que usava nas noites de cortesã lhe foram tiradas. Restava-lhe Marcos. Assim, cabisbaixa, deixou-se caminhar devagar até a casa dele, alimentando a esperança de ser acolhida.
Acolhida e amada. Para quem nunca havia sentido carinho que não fosse oriunda da figura materna, a vida com Marcos foi como se Patrícia tivesse saído do inferno em entrasse no paraíso. Aos dezesseis anos de idade, novamente começou a acreditar que pudesse existir um futuro e até mesmo a música que continuava a ecoar em seus ouvidos na voz da mãe, tinha outro significado e diariamente pegava-se entoando a frase: “Além do horizonte deve ter, algum lugar bonito prá viver em paz...”
Paz que foi quebrada na nova vida quando recebeu a noticia da prisão de Marcos, envolvido com um grupo de assaltantes após pouco mais de um ano de vida em comum. Perdeu o chão e mais ainda, a esperança de ter encontrado um lugar bonito prá viver. Foi lhe dito que apenas poderia visitar Marcos na prisão com a autorização do juiz por ainda não ter completado dezoito anos. Também não possuía documento de identidade, mas lembrava-se da Certidão de Nascimento guardada em sua bolsa, fiel companheira de quando fora jogada nas ruas nas duas casas que conhecera.
Duas semanas foram necessárias para conseguir os documentos para ver-se frente a frente com o único homem a quem amara. Duas semanas que a levou de volta a vida antiga, permitindo-se ser usada em troca de dinheiro, já que não tinha nem mesmo para a passagem de ônibus urbano e comida.

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