Não sabia se ficava frustrada, decepcionada ou brava por estar ouvindo isso do homem a quem dedicava tanto amor, mas ao mesmo tempo resignava-se, pois não estaria fazendo ali dentro, diferente do que fazia lá fora. Baixou a cabeça e mordeu os lábios, aquiescendo com o pedido e naquele sábado foi visitada por outros três detentos desconhecidos, que apenas a usavam e saiam, sem ao menos pronunciar uma só palavra.
Um mês de passou desde esse dia e novamente Marcos mostrou-se ainda mais nervoso. Disse-lhe que precisava ainda que ela fizesse outras coisas para os detentos, além do que já estava fazendo, pois o ameaçavam o tempo todo e ele estava com medo de ser morto. Explicou a ela que eles precisavam de alguém que lhes fizessem algum “adianto” nas ruas e ela poderia ajudá-los.
Ficou sabendo que o que queriam era alguém para fazer alguns serviços de coleta e entrega e que ela seria paga prá isso. Apenas teria que ir a determinado endereço buscar alguns pacotes e levá-los a outro lugar que lhe seria indicado. E que a cada serviço, lhe pagariam o transporte e mais algum dinheiro e que seria suficiente para que ela não mais fizesse ponto na Avenida, como estava fazendo até aquele dia.
O pedido também mostrou a Patrícia que o que fazia para conseguir dinheiro, não era segredo para Marcos. Assim, aceitou a incumbência durante um tempo e realmente não precisava mais entregar-se a homens desconhecidos, pois o que ganhava era o mais que o dobro do que ganhava nas ruas. Até conseguiu comprar um bolo confeitado para comemorar seu aniversário de dezoito anos e presenteou a si mesmo com algumas roupas um pouco melhores dos que usava até então. Foi a primeira vez que conseguira fazer tal coisa, pois o que ganhava nos meses anteriores, gastava com Marcos, satisfazendo-se com a expressão de alegria dele.
Marcos fora condenado e a maior de suas preocupações era a possibilidade de ser transferido para o Sistema Penitenciário, uma vez que outros que já haviam cumprido pena naqueles locais, falavam dos horrores que os esperavam, mas quanto a isso, nem Patrícia ou ele poderiam fazer nada. Procuravam viver os momentos cada vez mais escassos aos sábados, pois ela também tinha que cumprir a missão para com os outros detentos.

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